Como funciona
Metodologia
O Rastro Brasil organiza informação pública já divulgada por órgãos oficiais e pela imprensa, e a classifica de forma transparente. Aqui está exatamente como fazemos isso — as fontes, o processo, os critérios e, com honestidade, os limites.
O motor por trás
Olho de Deus
O Rastro Brasil é o que você vê. O Olho de Deus é o que faz o trabalho: o motor de investigação de dados públicos que alimenta cada cor, cada número e cada link desta plataforma. Ele não é um site — é uma máquina de cruzar dados que o Estado publica e não conversa entre si.
Cruza o que o Estado não cruza
Varre os 28 milhões de sócios do quadro societário da Receita Federal e casa com os contratos do Portal da Transparência. Descobre se a empresa do político recebe dinheiro do governo — o que a Constituição proíbe no art. 54, com pena de perda do mandato.
Casa por CPF, nunca por nome
Nome é a origem de quase todo erro grave: xará condenado, homônimo processado. O motor casa pessoa e registro pelo CPF — e, quando o CPF vem mascarado, exige CPF E nome civil juntos. Medimos: existem 4.917 brasileiros com o nome civil idêntico ao de um político desta base.
Lê quem é réu e quem é vítima
Uma camada de IA lê cada manchete e decide o PAPEL da pessoa: autora, ré, vítima, terceiro ou apenas quem comentou. 'Fulano é condenado a indenizar Beltrana' não é ficha da Beltrana. Só ficam as matérias em que a pessoa é a acusada.
Sabe a diferença entre falar e fazer
Projeto de lei sobre crime não é crime do autor. Xingar alguém de pedófilo é calúnia, não crime sexual. Sátira contra um ministro é dano moral, não corrupção. Cada uma dessas distinções nasceu de um erro real que corrigimos — e virou teste.
Não premia a obscuridade
Medimos quanta imprensa existe sobre cada pessoa. Quem ninguém cobre fica CINZA, não verde — porque 'não achamos nada' sobre um deputado invisível não é atestado, é ignorância nossa. Quase todo ranking do Brasil erra exatamente aqui.
Mostra o desfecho junto com a acusação
Quem foi absolvido carrega o selo em TODAS as matérias do caso — inclusive na que diz 'denunciado por corrupção'. Mostrar a acusação sem o desfecho, na mesma altura da tela, é meia verdade: a forma mais eficiente de mentir com fato verdadeiro.
O que nos separa de um ranking qualquer: a régua do Olho de Deus é testada. Ela roda contra 54 casos-âncora que não pode errar — casos reais onde o motor já falhou um dia e foi consertado. Cada erro que encontramos virou um teste permanente. Se alguém mexer numa regra e quebrar qualquer um desses casos, a mudança não passa.
Nós erramos, sim — e quando erramos, o conserto é na régua, para todos, nunca no perfil de uma pessoa. Um app que ajusta a nota de alguém no varejo não é um app de transparência: é um editor de reputação.
De onde vêm os dados
Câmara dos Deputados
OficialDados abertos: deputados, cota parlamentar (CEAP), fotos oficiais.
Senado Federal
OficialDados abertos: senadores em exercício e fotos oficiais.
TSE
OficialPrestação de contas eleitorais: Fundo Eleitoral (FEFC) e Fundo Partidário · bens declarados 2018 e 2022 · votos recebidos, urna a urna.
Câmara — plenário
OficialPresença em sessões deliberativas · voto nominal em cada votação, cruzado com a orientação de cada bancada.
Portal da Transparência
OficialEmendas parlamentares (valor empenhado), contratos federais por CNPJ e CEIS — cadastro de sancionados, casado por CPF.
Receita Federal
OficialQuadro societário do CNPJ: de que empresas a pessoa é sócia, e se alguma delas tem contrato com o governo.
Google Notícias
ImprensaVarredura da imprensa (presente e histórico, 2006–hoje) por termos de irregularidade.
Wikipédia / Portais de governo
ComplementarFotos e biografias de presidente, governadores e pré-candidatos.
O processo, passo a passo
1 · Coleta em fontes públicas
Puxamos identidade, cargo, partido, foto e finanças de APIs oficiais. Depois varremos a imprensa por pessoa com dezenas de consultas (corrupção, condenação, crime organizado, desvio moral, etc.), incluindo janelas históricas.
2 · Classificação de papel por IA
Um modelo de linguagem lê cada manchete e decide o PAPEL da pessoa: autor/réu/acusado, envolvido, vítima, terceiro ou comentarista. Só ficam as matérias em que a pessoa é autora, acusada ou envolvida — vítimas e terceiros são descartados.
3 · Pontuação por caso distinto
Agrupamos as matérias sobre o mesmo assunto: 20 reportagens sobre um único caso valem 1 ponto, não 20. Cada caso pesa conforme a gravidade (condenação > denúncia/operação > investigação > menor).
4 · Sinais financeiros
Usar dinheiro público de campanha (Fundo Eleitoral/Partidário) é sinal negativo e nunca deixa alguém no verde. Cota parlamentar e emendas são exibidas com a fonte oficial.
5 · Classificação final
A cor não sai de uma soma de pontos: ela segue uma régua de gravidade. O topo (condenação em caso grave, crime organizado, crime sexual) vai direto ao vermelho; abaixo dele, o que decide é o ACÚMULO de frentes abertas. O índice de alertas é só o resumo numérico disso.
Critérios de classificação
Cinza
A imprensa quase não escreve sobre esta pessoa. NÃO é elogio nem acusação — é a admissão de que NÃO SABEMOS. Deputado obscuro não pode virar 'ficha limpa' por obscuridade.
Verde
Existe cobertura de imprensa sobre a pessoa, nós vasculhamos e NÃO encontramos ocorrência relevante — nem condenação, nem caso grave, nem investigação. Aqui o verde é um atestado, não um silêncio.
Amarelo
Existe UMA frente aberta: um caso grave, uma investigação/suspeita sem desfecho, uma condenação por ofensa/dano moral, ou uso de dinheiro público de campanha (fundão).
Vermelho
Ou há algo do topo da régua (condenação em caso grave, ligação com crime organizado, crime sexual), ou há ACÚMULO: dois casos graves distintos, um caso grave somado a outra frente, ou três tipos diferentes de ilícito.
A régua de gravidade
O que separa as cores não é o volume de notícias — é a gravidade do que se apura e o acúmulo de frentes abertas. Uma pessoa muito coberta pela imprensa por um único caso não fica pior por isso; quem responde a várias frentes diferentes, sim.
Vermelho direto
- Condenação em caso grave — corrupção, improbidade, desvio de verba, dano ao erário, lavagem, crime organizado, crime sexual ou pena de prisão.
- Ligação apontada com facção, milícia ou organização criminosa.
- Crime sexual, violência doméstica ou cárcere privado.
Vermelho por acúmulo
- Dois casos GRAVES distintos (denúncia formal, réu, operação, prisão) — mesmo sem condenação.
- Um caso grave + outra frente aberta (investigação, desvio ético, ou dinheiro público de campanha).
- Três tipos diferentes de ilícito ao mesmo tempo (ex.: corrupção + crime eleitoral + desvio moral).
Amarelo
- Uma investigação, suspeita ou acusação ainda sem desfecho.
- Uma condenação por ofensa ou dano moral contra particular (opinião, declaração, rede social).
- Uso de dinheiro público de campanha (Fundo Eleitoral/Partidário) — que é legal, e sozinho NUNCA leva ao vermelho.
Regras de justiça
Registro oficial vale mais que manchete
Além da imprensa, cruzamos o CEIS (cadastro de sancionados do Portal da Transparência) por CPF — não por nome. É a única prova do sistema com risco ZERO de confundir homônimos, e traz número do processo, órgão sancionador e data do trânsito em julgado. Quando existe registro oficial, ele aparece destacado e pesa como condenação.
Cinza: quando não sabemos, dizemos que não sabemos
Medimos quanta imprensa existe sobre cada pessoa. Um deputado estadual do Rio tem, em média, 4,4 matérias; um de Sergipe, 0,17 — vinte e seis vezes menos. Sem isso, o político obscuro apareceria de VERDE e o eleitor leria 'ficha limpa' onde a verdade é 'ninguém escreve sobre ele'. Quem não tem cobertura fica CINZA. Ausência de notícia nunca é prova de idoneidade.
Peso pelo tipo de ilícito, não pela esfera
No Brasil a improbidade administrativa (corrupção, desvio de verba, dano ao erário) corre na esfera CÍVEL — e nem por isso é menos grave. Por isso não separamos 'cível' de 'criminal': separamos pelo que foi lesado. Dinheiro público, crime organizado e crime sexual pesam alto em qualquer esfera. Já uma condenação por ofensa ou dano moral contra um particular aparece, mas pesa pouco: não é ficha criminal e, sozinha, não leva ao vermelho.
Um único caso vale um ponto
Agrupamos as matérias sobre o mesmo assunto: 20 reportagens sobre um único caso valem 1, não 20. Quem tem muita cobertura de imprensa não fica pior por isso.
Condenação é do indivíduo
Só contamos condenação da própria pessoa — não de terceiros que ela comenta, nem do governo/instituição. Conta no histórico mesmo se houve perdão, liberdade provisória ou anulação posterior.
Pedir apuração não é ser investigado
Qualquer adversário pode pedir investigação. Enquanto nenhum órgão abre o caso, isso é disputa política e não conta. Do mesmo modo, caso ARQUIVADO ou absolvido aparece marcado, mas não pontua.
Selo Possível Fake News
Matérias com indício de checagem/desmentido recebem selo e ficam visíveis, mas NÃO entram no índice.
Um caso só leva ao vermelho se identificar a pessoa
Para um único caso mandar alguém direto ao vermelho, a manchete precisa identificar a pessoa de forma inequívoca (nome completo). Sobrenome ou primeiro nome soltos não bastam — é assim que evitamos confundir homônimos.
Diversidade pesa
Corrupção + desvio moral é pior do que muitos casos de um tipo só. Cada frente diferente aumenta o índice.
A empresa dele recebe dinheiro do governo?
Cruzamos o quadro societário da Receita Federal com os contratos do Portal da Transparência — dois cadastros públicos que nunca se falam. Ter empresa NÃO é ilícito e não muda a cor de ninguém: político pode ter padaria, fazenda, clínica. O que pesa é a empresa dele ter contrato com o poder público — a Constituição proíbe isso no art. 54 (e o art. 27, §1º estende a regra aos deputados estaduais), e a pena prevista é a perda do mandato. Mesmo assim não é vermelho sozinho: o contrato pode ser de cláusulas uniformes ou anterior ao mandato, e quem julga é o Conselho de Ética. Vira uma frente aberta, como o fundão — e frente aberta soma. Só conta o contrato VIGENTE durante o mandato: dos 21 casos que encontramos, 13 eram contratos encerrados antes da posse e ficaram de fora — cobrar alguém por um contrato que venceu antes de ele assumir seria mentira.
Casamos por CPF + nome, nunca por nome só
A Receita publica o CPF do sócio mascarado (***123456**). Nós temos o CPF completo pelo TSE e exigimos as duas coisas: os 6 dígitos E o nome civil idêntico. Nenhum dos dois basta sozinho — cada máscara é compartilhada por dezenas de brasileiros, e existem 4.917 pessoas no país com o nome civil idêntico ao de um político desta base (só 'Luiz Antônio da Silva' tem 538). Quando o nome é comum demais e o próprio político não confirmou a empresa na declaração ao TSE, o vínculo é SEGURADO e não vai ao ar.
O que mostramos mas NÃO conta na cor
Presença em plenário, patrimônio declarado, como a pessoa vota e quantos votos recebeu aparecem no perfil com a fonte oficial — e ficam de fora da classificação, de propósito. Faltar é desempenho, não conduta. Patrimônio cresce por herança ou venda de imóvel. E votar com o governo ou contra ele é POSIÇÃO POLÍTICA: um app que pintasse de vermelho quem vota 'errado' seria militância com planilha. Esses números são seus para julgar, não nossos.
Nunca acusamos
As classificações indicam possível envolvimento com base no que já foi divulgado. Não afirmamos culpa. Todo dado traz o link da fonte para você conferir.
Limitações e transparência
Viés de cobertura da imprensa
Medimos o que a mídia cobriu. Um político muito exposto acumula matérias; um obscuro, com pouca imprensa, pode aparecer como verde. Verde significa "nada encontrado", NÃO "ficha limpa". Perfis com pouca cobertura levam um aviso claro.
Precisão não é 100%
A classificação de papel por IA acerta a grande maioria, mas casos de homônimos (nomes iguais) ou frases ambíguas podem escapar. Por isso cada matéria tem o botão de fonte.
É uma fotografia
Os dados refletem a data da coleta, exibida em cada perfil. A base é reprocessada periodicamente, especialmente perto das eleições.
Como diferenciamos os tipos de ocorrência
Investigação / inquérito
Apuração em andamento, sem desfecho. Pesa como sinal a verificar, não como culpa.
Acusação / denúncia
Alguém formalizou uma acusação. Ainda não é condenação; entra como ponto a verificar.
Condenação criminal
Decisão da Justiça na esfera penal (corrupção, crime organizado, etc.). É o que mais pesa.
Improbidade administrativa
Desvio de dinheiro público / enriquecimento ilícito — corre na esfera cível, mas pesa alto (é corrupção).
Ação civil de dano moral
Ofensa/opinião/rede social (difamação, etc.). Aparece marcada como baixa relevância e NÃO pontua.
Absolvição / arquivamento
A pessoa foi ilibada, o caso foi arquivado ou ganho em outra instância. Não pontua.
Como rastreamos dinheiro público
O Rastro do Dinheiro é a área que segue recursos públicos em cultura, mídia e contratos. Ele usa o mesmo motor de investigação do lado eleitoral — coleta em fonte oficial, normalização, cruzamento e evidência a um clique — mas é um universo separado: artista, empresa, veículo ou grupo de mídia nunca entram no ranking político, e nenhum valor financeiro daqui altera a cor de político nenhum.
De onde vêm os dados
SALIC — Ministério da Cultura
Projetos da Lei Rouanet: quanto foi solicitado, quanto o projeto foi autorizado a captar e quanto captou de fato, além de incentivadores e fornecedores. Não informa quanto cada pessoa recebeu.
Portal da Transparência — CGU
Execução financeira federal (empenho, liquidação e pagamento) por CPF/CNPJ e contratos do Executivo federal. É a única fonte aqui que comprova pagamento.
PNCP — Contratações Públicas
Contratos das três esferas, com objeto, fornecedor, órgão e vigência. Contrato assinado não é pagamento.
SICOM/SECOM — veiculação publicitária
Fonte mapeada e ainda NÃO integrada: o portal exige resolução de desafio de navegador, que um coletor automatizado não faz. Enquanto isso, publicidade aparece por contrato e por execução financeira.
As quatro confusões que nos recusamos a fazer
- Valor aprovado não significa valor recebido. Na Lei Rouanet, o aprovado é um teto de captação — permissão para buscar patrocínio, não dinheiro entregue. Muitos projetos captam uma fração dele, e alguns não captam nada.
- Valor captado não deve ser confundido com valor aprovado. São dois números do mesmo projeto em momentos diferentes. Somá-los produziria um total que não existe: R$ 10 milhões aprovados com R$ 7 milhões captados não são R$ 17 milhões.
- Associar um artista a um projeto não significa que ele recebeu pessoalmente o valor do projeto. O proponente costuma ser uma produtora ou instituição, que contrata equipe, fornecedores e serviços com o que capta. A fonte oficial não informa quanto cada pessoa envolvida recebeu — e nós não estimamos.
- Registro de veiculação não significa pagamento, e contratado, empenhado, liquidado e pago são estágios diferentes. Cada um vira um número separado, com o nome escrito embaixo. Nunca convertemos um no outro porque ficaria mais impressionante.
Como identificamos quem é quem
A ordem de confiança é CNPJ/CPF → identificador oficial → relação declarada em fonte oficial → revisão humana → nome. Nome sozinho não identifica ninguém no Brasil: o próprio projeto mediu, do lado político, que 4.917 brasileiros têm nome civil idêntico ao de algum político da base. Por isso um vínculo achado apenas por semelhança de nome nasce pendente e não é publicado como fato até alguém confirmar.
No caso de grupos de mídia, só consolidamos no total do grupo os veículos com relação de propriedade ou controle comprovada. Emissora afiliada exibe a programação de uma rede e usa a marca dela, mas com frequência pertence juridicamente a outro dono — somá-la ao grupo controlador atribuiria a ele dinheiro que foi para outra empresa.
O que ainda não enxergamos
- • Execução financeira estadual e municipal. O PNCP nos dá contratos das três esferas, mas a execução detalhada que consultamos é federal. Fora da União mostramos o contratado, não o pago — e dizemos isso na tela.
- • Valor por fornecedor de projeto cultural. O SALIC lista os fornecedores contratados, mas não expõe o valor pago a cada um. Não rateamos o total do projeto entre eles: um rateio estimado pareceria preciso e não poderia ser auditado.
- • Veiculação publicitária do SICOM. Fonte oficial existente, atrás de proteção que impede coleta automatizada.
- • Cobertura por recorte. Cada ingestão registra o que varreu — anos, áreas e janelas —, e quando precisa cortar, o corte fica anotado. Ausência de registro é limite da nossa cobertura, nunca afirmação de que o valor é zero.
Todo número da área financeira abre a lista de registros que o formaram, com origem, valor, data e o link oficial de cada linha. Se você somar as linhas na calculadora, tem de dar exatamente o total exibido — os valores são guardados em centavos inteiros justamente para que a conta feche.
Abrir o Rastro do DinheiroViagens & Regalias
Esta área segue viagens a serviço pagas com dinheiro público: passagens, diárias, taxas e multas. A unidade é a PCDP — a proposta que autoriza o afastamento. É ela que define uma viagem no sistema do governo, e é ela que aparece no botão de fonte.
A regra que não se quebra
Participar de uma viagem não significa que todo o custo da missão tenha sido gasto individualmente por aquela pessoa. Por isso despesas de comitiva são apresentadas separadamente das despesas diretamente atribuíveis, e os dois números nunca são somados — nem na tela, nem no código: só a atribuição direta entra no total pessoal, e há teste automatizado que falha se alguém tentar somar.
Os níveis de atribuição
- Atribuição direta — o documento oficial traz o nome da pessoa como beneficiária. É o único nível que entra no total pessoal.
- Participou desta missão — a fonte comprova a participação, mas não individualiza o valor. Aparece, e não conta como gasto dela.
- Despesa da comitiva — pertence à missão, não a um participante.
- Não individualizado — a despesa existe e está registrada, mas a fonte não permite saber a quem pertence. Guardamos e dizemos isso, em vez de inventar dono.
O que esta fonte não permite determinar
- Cidade e país de destino. A API da CGU informa apenas se a viagem é nacional ou internacional. Quando a tela mostra um destino, ele foi citado no texto do motivo oficial — e vem marcado como tal. Não inferimos destino por aeroporto, fornecedor ou nome de evento.
- Judiciário. A base de viagens da CGU cobre o Executivo Federal. STF e demais tribunais publicam em portais próprios, e o portal de transparência do STF recusa acesso automatizado — o que testamos e registramos.
- Dados suprimidos por segurança. Quando a fonte oficial omite itinerário, agentes ou logística sensível, não reconstruímos por cruzamento. O Rastro publica transparência financeira, não informação operacional.
Restituição não é gasto. Valores devolvidos ao erário aparecem em campo próprio e ficam fora do total — somá-los faria uma viagem devolvida por inteiro custar o dobro. Benefício de saúde não é viagem: a seção reúne naturezas diferentes na mesma página, mas jamais no mesmo número.
A palavra “Regalias” é o nome editorial da seção, não uma classificação. Diária é diária — prevista em lei, paga por tabela. O registro continua factual; o julgamento é seu.
Abrir Viagens & RegaliasFolha de pagamento e o teto constitucional
O Supremo Tribunal Federal publica a remuneração de cada pessoa da folha, mês a mês, em dezenove rubricas. Nós não resumimos isso a um número: a fronteira entre essas rubricas é o assunto inteiro desta área.
Duas coisas diferentes que não podem ser confundidas
- Acima do teto — uma rubrica que o art. 37, XI governa ultrapassou o limite. É a afirmação estrita, e é o que o selo vermelho marca.
- Fora do teto — férias, gratificação natalina, auxílios, indenizações, licença-prêmio em pecúnia e auxílio-moradia. São verbas que o limite nunca alcançou, por natureza jurídica. Não é excesso: é dinheiro que corre por outra porta.
Chamar férias de “acima do teto” seria errado — o teto não se aplica a ela. Mas omitir seria pior: nos ministros do STF, o que passa fora do teto é cerca de vinte vezes maior do que o que passa acima dele. As duas contas aparecem, com cores e rótulos distintos.
O teto é medido, não copiado
O art. 37, XI amarra o limite do serviço público ao subsídio dos ministros do STF. Ou seja: o teto de um mês é exatamente o subsídio que eles receberam naquele mês. Em vez de gravar um valor de tabela — que envelhece a cada reajuste e passa a mentir sozinho —, medimos o teto na própria folha, competência a competência. Mês em que não há ministro em atividade para medir fica sem teto declarado, e a tela diz isso em vez de comparar com um número inventado.
O que NÃO afirmamos
O selo diz “acima do teto”, nunca “ilegal” ou “irregular”. A exclusão das vantagens pessoais do cálculo do limite é posição consolidada do próprio tribunal, e o abate-teto de R$ 0,00 que aparece nesses contracheques é declaração da fonte, não conclusão nossa. Publicamos a aritmética e o que o documento diz; o julgamento é seu.
O selo também traz a frequência — “1 de 73 competências”. Nos ministros, o excedente concentra-se num único mês; nos demais, o valor recebido é exatamente o teto. Um selo sem essa qualificação sugeriria que aquilo acontece todo mês, e a primeira pessoa que conferisse a fonte encontraria o contrário.
Quem aparece com nome — e quem não aparece
A varredura de viagens federais trouxe mais de 36 mil pessoas. Treze são ministros do STF; nenhuma é candidata do ranking de 2026. As demais são servidores de carreira — analistas, técnicos, assistentes de gabinete.
Publicar uma lista pesquisável, nome por nome, do quanto cada um viajou não é cobrar quem tem poder — é expor quem não tem. Servidor concursado não decide política, não se elegeu e não pediu holofote, e o dado ser público não obriga ninguém a montar o dossiê.
A régua: um nome só aparece em ranking, ficha ou busca se a pessoa exerce cargo público identificado. O gasto de todos os demais continua contado — está no total de cada órgão, e nenhum centavo é escondido. O que não existe é a tela com o nome de quem não decide nada.
É o mesmo princípio que aplicamos quando a fonte suprime um nome por segurança: o gasto existe, é somado e é publicado; o que não fazemos é apontar dedo para quem a fonte não torna figura pública.
O que ainda não cobrimos
Publicar o que falta é parte da régua. Hoje: as viagens federais cobrem 13 dos 116 órgãos do Executivo; a folha cobre apenas o STF — STJ, TST, TSE e TCU publicam no mesmo padrão e ainda não foram lidos; e a folha do STF começa em julho de 2020, então ministro empossado antes disso tem boa parte do exercício fora da base. Cada ficha diz qual fatia foi coberta, e nenhum total é apresentado como se fosse uma carreira inteira.
Contestação e correções
Erramos? Corrigimos. Quem é a pessoa do perfil (ou a representa) pode solicitar correção enviando o link da fonte que comprova a imprecisão. Casos comprovados são corrigidos e a mudança fica registrada. A base é reprocessada periodicamente, e cada perfil mostra a data da última coleta. Nenhuma classificação é definitiva nem afirma culpa — é um ponto de partida para você conferir nas fontes.